Ela caminhava pelas ruas da cidade, era noite, a chuva caia de mansinho, molhando seu corpo cansado. Ela procurava um cantinho para se abrigar, olhava os prédios iluminados e seus olhos ressequidos por um momento brilhavam, era noite de natal, a cidade estava tão linda, as pontes pareciam ter saído de um mundo encantado, tanta luz. Ela caminhava com os seus passos lentos, olhava o céu, não tinha estrela, estava nublado, as estrelas pareciam que tinham caído todas por sobre a cidade. Ela tinha dores no corpo, principalmente no estômago, a fome incomoda até a alma, mas ela caminhava assim mesmo, como que encantada, a cidade era pura magia, podia ouvir algumas músicas ao longe.
Ela caminhava a esmo, sozinha, algumas pessoas em sua mesma condição passavam por ela e nem se davam conta daquela velhinha com seus passos trôpegos, os carros desfilavam na sua frente, com seus vidros fechados e pessoas com o coração também, mas ela achava tudo tão lindo, esquecia até quem era, esquecia que era invisível e acenava para os carros, os faróis cegos não a viam. De repente ela vê, do outro lado da grande avenida, ali estava um abrigo, era tosco e destoava da paisagem, era de madeira, mas parecia aconchegante para se abrigar da chuva, agora mais intensa, podia divisar uns vultos dentro do abrigo, mas era bastante espaçoso, algumas pessoas estavam ao redor do que parecia um pequeno berço de madeira, tinha até uns animais, sim ali seria onde ela passaria a noite. Ela inicia a travessia, porém não teve tempo de terminar o percurso, dois enormes faróis vieram em sua direção, mas antes do impacto final, ela pode ver dentro do abrigo, deitado no pequeno berço de madeira, uma criança está sorrindo, enquanto estende-lhe os braços.
Luciano Brito
24/12/2007
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
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